domingo, 2 de junho de 2013

Nem todos têm uma alfabetização fácil e prazerosa, que os levem a serem leitores por iniciativa própria, os quais veem no livro momentos de prazer, sonhos e enleios. Mas há alguns, que devido a árdua aprendizagem, dão valor às pequenas leituras e assim vão se fazendo leitores.





Agora um pouquinho sobre a minha alfabetização

Quando tinha sete anos comecei a frequentar a escola. Eu estava empolgada, assim como minhas coleguinhas. A Madre Superiora dizia para nós  que a professora era bonita, elegante (porque não usava o hábito, como as freiras) e boazinha. Lá fui eu, mas não tive a mesma facilidade que minhas colegas tiveram em ler e fazer continhas. Por isso a professora me chamava à lousa, eu chorava, chorava. Talvez, cansada em me ver chorar, me apelidou de Maria Chorona e era assim que eu ia à lousa, sem nenhum resultado. Não demorou muito fui tirada da escola, não era nem meio do ano.

Então, quando já tinha oito anos... lá vamos nós outra vez... Outra professora, hummm.... feia, hummm... nada elegante, mas ela pegou minha mão e levou-me até à lousa, pegava minha mão  para que eu escrevesse em meu caderno. Fui gostando. Certa vez ela pediu à Madre Superiora para que a autorizasse a levar-me a um passeio, assim foi concedido. Fomos  à casa dela, lá eu não realizava nenhuma tarefa, só era paparicada, ganhei roupas e sapatos novos e, é claro, uma boneca.

À noite, sexta-feira, ela levou-me  ao seu outro trabalho, em outra escola, então eu pude vê-la ensinando outras pessoas, mais adultas. Fiquei observando, quietinha, sentadinha na carteira do fundo. Não sei o que foi aquilo, não sei explicar, mas está vivo em minha lembrança.

O que a professora fez para que eu de repente começasse a ler, escrever e fazer continhas? Não sei explicar, só senti. Sinto até hoje.